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A natureza responde - ARTIGO DO DEPUTADO CHICO SARDELLI


Que expressão usar para descrever as imagens que vemos do município de Mariana, em Minas Gerais, e das demais cidades afetadas pelo rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco? São cenas chocantes de um mar de lama, de pura devastação por centenas de quilômetros. São casas destruídas, peixes e animais mortos, vegetação e matas ciliares soterradas, falta de água e mau cheiro, sem falar dos mortos e desaparecidos. O rio Doce está morto, lamentam os moradores, diante do maior desastre ambiental e social da história do país. Os atos praticados contra a natureza são respondidos por ela e terminam nessas tragédias.
Diante deste cenário e do caos, além da causa do rompimento das barragens, o principal questionamento é quanto às práticas de prevenção. Não basta agir depois dos desastres, tem que prevenir para evitá-los. As multas e medidas adotadas agora serão suficientes para reparar o mal que essa catástrofe causou e ainda causará às famílias, à natureza? Talvez seja possível reconstruir a cidade, mas e as vidas perdidas? Tudo vale em nome de um capitalismo desenfreado?
Há informações que a licença de uma das barreiras estava vencida desde 2013 e que alertas feitos por professores da Universidade Federal de Minas Gerais e por procuradores federais e estaduais foram ignorados. Todos esses danos poderiam ter sido evitados? São por essas respostas como essa que a sociedade está esperando.
É preciso investigar com rigor se houve negligência da empresa e também dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização ou até por suspender as atividades da mineradora. Não pode ficar impune o mal causado ao Estado de Minas Gerais, que agora já chega ao Espírito Santo. São municípios afetados, economia, agricultura e pesca comprometidas, flora e fauna dizimadas, escolas sem aula, comércio parado, hospitais com desabastecimento.
Desde o dia 5, quando ocorreu o rompimento das barragens, a lama vai percorrer toda a calha de 853 quilômetros entre a cidade de Rio Doce, em Minas Gerais, até Linhares, no Espírito Santo, onde encontra o Oceano Atlântico. O rejeito do minério de ferro é uma lama tóxica, composta por água, areia e ferro, além de resíduos de alumínio, manganês e cromo. Ambientalistas falam em anos, décadas e até em centenas de anos o tempo para recuperação das áreas afetadas. A extinção de espécies típicas do rio Doce, no entanto, pode ter efeitos irreversíveis.
Esse desastre deixa evidente que a flexibilização das regras do licenciamento ambiental precisa ser muito bem avaliada. No Congresso Nacional tramitam diversos projetos de lei com o objetivo de alterar a legislação sobre o tema, em sua maioria com a proposta de simplificar o licenciamento ambiental. O desenvolvimento não pode vir a qualquer preço, afetando meio ambiente e a população.
Em meio a todo esse caos de lama, não poderia deixar de citar o trabalho árduo realizado pelo Corpo de Bombeiros e equipes de Defesa Civil. Acompanho pela imprensa e redes sociais a motivação de grande número de voluntários, que oferecem trabalho e donativos ao povo de Minas Gerais. É uma luz muito especial que sempre brilha nesses momentos de tragédia, e traz esperança, chamada solidariedade.
** Chico Sardelli é deputado estadual pelo Partido Verde

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