- 20 de junho de 2011 |
- 23h52 |
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Categoria: Pirataria
GIO MENDES
Nem mesmo a presença de policiais militares inibe a venda de produtos piratas na Feirinha da Madrugada, na região do Brás, centro de São Paulo. A ação dos policiais acontece desde o início do mês, quando foi implantada no local a Operação Delegada, em que homens da PM trabalham no horário de folga para a Prefeitura no combate aos ambulantes irregulares.
O Jornal da Tarde esteve no camelódromo na madrugada de quinta-feira, dia 16, e constatou que dezenas de ambulantes vendiam em suas barracas roupas, tênis, bolsas, óculos e relógios falsificados de marcas famosas. Todos – a maioria chineses – são cadastrados na Prefeitura. A ficha de cadastro estava afixada nas barracas.
Enquanto a reportagem verificava o preço de calças falsificadas, dois policiais fardados passaram direto pela barraca onde eram vendidos jeans com etiquetas da marca Cavalera por apenas R$ 30. Calças com etiquetas da Carmin eram oferecidas por R$ 40.
A reportagem apurou ainda que na Feira da Madrugada é possível comprar uma bolsa pirata da marca Louis Vuitton por R$ 70. Uma blusa falsificada da Lacoste sai por R$ 15. “Faço por R$ 13 cada, se você levar mais de três blusas”, disse uma ambulante.
Para queimar seu estoque, um ambulante vendia camisetas com o logotipo de marcas como Adidas, Calvin Klein e Oakley pela bagatela de R$ 15. Nas barracas de óculos, modelos com a marca Ray-ban custavam R$ 10. “Esses aqui eu faço por R$ 8”, falou o camelô, apontando para os óculos com o logotipo da marca de surfe Oakley. Blusas da Adidas tinham o preço promocional de R$ 40, mesmo valor de um par de tênis da Nike.
No dia 24 de maio, o prefeito Gilberto Kassab visitou a feirinha e anunciou que em dez dias a Operação Delegada estaria funcionando no local para impedir a venda de produtos piratas e a presença de ambulantes ilegais. A medida foi anunciada um dia depois de reportagem do JT mostrar que a feira era dominada pela pirataria.
Na madrugada de quinta-feira, dia 16, pelo menos 60 policiais estavam espalhados pela feirinha, mas a reportagem não viu nenhum deles fiscalizando as mercadorias dos ambulantes cadastrados. A PM conseguiu pelo menos inibir a atuação dos camelôs ilegais. “Eu tive minha mercadoria apreendida pela PM na segunda-feira. Parece que só tem chance quem vende produtos piratas”, desabafou uma ambulante, que estava dentro do camelódromo esperando uma brecha para vender bolsas artesanais por R$ 5, escondidas em sacolas plásticas.
O presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes de São Paulo, Leandro Dantas de Jesus, afirmou que a PM atua na parte externa da Feira da Madrugada desde janeiro, impedindo a montagem de barracas na Rua Barão Ladário. “A Prefeitura quer acabar com o comércio ambulante nas ruas da região, sem dar alternativa para os camelôs que não vendem produtos piratas”, disse.
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