sexta-feira, 24 de junho de 2011

Até GCM ajuda no serviço funerário


Categoria: Administração, Geral

CAIO DO VALLE

A Prefeitura de São Paulo acionou até a Guarda Civil Metropolitana (GCM) para tentar manter o Serviço Funerário ativo nesta terça-feira – dia em que os funcionários da categoria entraram em greve –, mas não conseguiu evitar que enterros deixassem de ocorrer. O JT identificou quatro famílias que não conseguiram sepultar seus parentes – a maioria das mortes ocorreu na segunda-feira. No início da noite de nesta terça-feira, o sindicato da categoria informou que retornaria ao serviço às 6 horas desta quarta-feira.

Segundo apurou a reportagem, como os motoristas do serviço aderiram à paralisação, a GCM teria ajudado no traslado de alguns corpos até cemitérios. Outros servidores da própria Secretaria Municipal dos Serviços, como seguranças, trabalharam guiando parte dos carros funerários. Funcionários das Secretarias da Saúde e da Coordenação das Subprefeituras, além da Defesa Civil da cidade, também foram chamados.

A longa espera e a falta de informações sobre a data do enterro levaram a um sentimento de revolta e dor nos cemitérios e no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), em Pinheiros, zona oeste, para onde são levados corpos de pessoas que tiveram morte natural.

Esperando desde a madrugada de antenesta terça-feira por uma definição sobre quando o corpo de sua mãe seria encaminhado para o Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, a diarista Maria Regina de Souza, de 57 anos, se automedicava às 15h com uma cartela de pílulas antidepressivas no banco de espera do local. “Já tomei 15 comprimidos. Não aguento mais. Minha mãe morreu faz quase dois dias e ainda não sei se vou conseguir enterrá-la nesta quarta-feira (ontem).”

O caso da balconista Luzinete Pinheiro dos Santos, de 47 anos, era parecido. Sua tia morreu às 8h30 de segunda-feira, mas a Prefeitura a informou ontem que o horário da liberação do corpo para o velório no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, na zona leste, só seria divulgado nesta quarta-feira. “Pediram para eu ligar lá a partir das 7h.”

Por volta das 19h de ontem, a auxiliar de limpeza Maria Lucineide dos Santos, de 33 anos, também continuava sem saber quando o corpo do cunhado, morto na segunda-feira à noite, seria transferido para o Cemitério Vila Nova Cachoeirinha. No mesmo horário, a cabeleireira Katia Vieira, de 38, não tinha ideia de quando o corpo de sua tia iria para o Cemitério Vila Formosa, na zona leste.

Improviso

Nos cemitérios municipais, onde os sepultadores não trabalharam ontem, os enterros foram feitos por funcionários que não estão habituados ao serviço, como faxineiros e jardineiros. A reportagem viu, às 16h, um sepultamento no Cemitério do Araçá, na zona oeste, ser auxiliado por funcionários terceirizados da limpeza.

No maior cemitério da cidade, o Vila Formosa, onde, durante um protesto de manhã, coveiros entraram nas valas, os 18 sepultamentos programados para o dia foram feitos por equipes da limpeza, informou um funcionário.

Em nota, a Secretaria Municipal dos Serviços informou que “colocou em funcionamento uma operação emergencial” para garantir o atendimento. A Prefeitura afirmou que “considera inadmissível a paralisação dos servidores” e que “não é aceitável que o cidadão (…) seja penalizado por uma paralisação extemporânea e injustificada”. Colaborou Fabiano Nunes

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