domingo, 4 de novembro de 2012

Governo federal pode intervir na onda de violência em São Paulo



 

São Paulo -  Em carta ao governador paulista Geraldo Alckmin
 (PSDB), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reiterou a
 oferta de ajuda ao governo estadual no combate à onda de
 violência desencadeada por grupos criminosos no Estado, mas
 afirmou que o governo federal "não é mero repassador de recursos"
 para ações isoladas sem planejamento estratégico. "Passou a época
 em que a segurança pública era disputa de mocinhos e bandidos.
 As ações têm de ser integradas, envolvendo União, Estados e
 municípios", disse ele.
Na carta ao governador, Cardozo insistiu que tem oferecido ajuda
 federal para o governo local debelar a onda de ataques de 
criminosos, inclusive na última reunião, em junho passado, com o
 secretário de segurança paulista, Antônio Ferreira Pinto, ocasião
 em que as questões de inteligência foram debatidas. O ministro
 reiterou a oferta de vagas nos presídios federais de segurança
 máxima para isolar os líderes da organização, que estariam
 comandando atentados de dentro das celas e o emprego de
 toda a estrutura de inteligência do governo federal.
Cardozo também propôs a criação de um grupo de trabalho 
comum entre tropas da União - entre elas a Polícia Federal e 
a Força Nacional de Segurança Pública - e as de São Paulo. 
Mas deixou claro que não mandará recursos descolados de
 planejamento estratégico, como o que foi negociado com os
 governos do Rio de Janeiro em 2010 e o de Alagoas, este
 ano. "Diante do elevado padrão orçamentário desse Estado,
 nossa intenção não é que o governo federal compareça como
 mero repassador de recursos para o atendimento de despesas
 ordinárias dos órgãos de segurança", anotou.
O ministro deixou claro que a ajuda depende de que as partes
 sentem à mesa, resolvam diferenças de concepções e 
cheguem a um acordo. "Não é nossa intenção arcar com
 investimentos que possam ser custeados diretamente pelos
 cofres estaduais a partir de uma política própria de priorização
 orçamentária", enfatizou.
A carta é o último capítulo de um bate boca público alimentado
 nos últimos dias pelo secretário de segurança paulista, que
 acusa o ministro de "faltar à verdade" quando diz que
 ofereceu ajuda a São Paulo.
Cardozo disse que não vai alimentar polêmicas inúteis e 
espera que Alckmin ponha fim à animosidade de sua equipe,
 em nome dos interesses do povo paulista. "Não é hora de
 trazer disputas políticas à tona, mas de somar esforços no
 combate  ao crime", pregou. O diálogo com Pinto, todavia,
 ficou azedo porque ele deixou nas autoridades federais uma
 imagem de bravateiro e amador no combate ao crime organizado.
A resposta do ministro, que resultou também em nota oficial 
divulgada na noite desta terça-feira (30), decorre também da
 afirmação de autoridades paulistas, que atribuem a
 responsabilidade pela violência no Estado ao governo federal
, por suposta falta de fiscalização nas fronteiras. "É inaceitável,
 além de inverídica, a afirmação de que a elevação da violência
 em São Paulo deriva do descontrole nas fronteiras",
 rechaçou Cardozo.
Ele disse que a intenção do governo federal "é a atuação 
conjunta das forças e órgãos federais com todos os órgãos 
estaduais que desenvolvam ações e programas na área de
 segurança". Essa atuação conjunta, segundo ele, deve 
nascer de "um plano de ação predefinido, fundado no
 compartilhamento aprofundado de informações na área de
 inteligência policial, bem como na análise de técnicos
 e especialistas".
O governo de São Paulo distribui uma nota à imprensa em 
que afirma não ter recebido ofício do Ministério da Justiça
 com oferta de ajuda ao governo estadual no combate à
 onda de violência desencadeada por grupos criminosos
 no Estado. "Assim que o receber, adotará todas as providências
 para intensificar a cooperação no combate ao crime,
 inclusive no intercâmbio de informações para o aperfeiçoamento
 do controle das fronteiras', diz a nota.
O governador Geraldo Alckmin afirma que "toda colaboração
 do governo federal na Segurança Pública é bem-vinda".

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