Desde o anuncio da morte do casal de ativista no Estado do Pará, José
Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, a mando de
latifundiário e de donos de madeireira, em 25/05/11, diariamente sou assaltado
por reflexões sobre o espírito de solidariedade do povo brasileiro. Assistimos
nos últimos tempos e atualmente todo tipo de marcha: da maconha, dos LGBT,
dos contras algumas demandas dos LGBT, os evangélicos entre outras tantas.
Não presenciei nem foi veiculado na imprensa alguma marcha que
expressasse a indignação pela morte dessa família que empenharam suas
vidas a serviço das florestas, da preservação e conservação das matas, rios,
natureza, da vida, a qual todos precisamos. Também o Brasil assistiu o
desfecho da novela encenada pelo Supremo Tribunal Federal, instância
decisória mais alta, sobre algumas demandas do movimento LGBT. Quero
deixar bem claro que não sou contra nenhuma das marchas acima destacadas,
também não sou contra as reivindicações de movimentos sociais, acredito
serem legítimas. O objeto de minha indignação é a frieza, a falta de
solidariedade, a antipatia do povo brasileiro com o sofrimento e mortes alheias.
Cada qual olha para seu umbigo, para as suas demandas, seus direitos, o
outro que é covardemente assassinado, agravado pela omissão do Estado,
que sabia das ameaças e da morte anunciada, e nada fez, é apenas o outro, o
não-eu. Esse Estado que protege os interesses e os interessados em morte
desse tipo, a final de contas, muitos dos que estão lá, foram e são
patrocinados... Essa morte não é um caso em particular, mas representa tantas
outras e resgata, por exemplo, Chico Mendes, outros ícone da luta. Mas, às
vezes, é mais fácil eleger algumas bandeiras e lutar, mobilizar, marchar,
chamar a atenção da imprensa, pressionar o judiciário... A bandeira do casal,
do Chico Mendes e de outros e outras tantas, é uma bandeira difícil, pesada,
comprometedora, por que coloca as mãos num campo minado, nos interesses
de uma pseudo elite perversa, assassina, e de um Estado que sustenta e
pereniza esses interesses. É uma bandeira demasiadamente pesada para os
egoístas, para quem vê apenas seu umbigo, e nada mais que isso. Será que
essa não é uma demanda legítima e real, justa e necessária para unir todos os
movimentos sociais numa grande marcha à Brasília para reivindicar um basta
aos assassinatos e prisão aos culpados? Reivindicar do Supremo Tribunal
Federal um posicionamento efetivo sobre essas injustiças? O STF também tem
outras demandas, mais leves, que não incomodam tantos os interesses das
pessoas envolvidas, por isso, ficará inerte, impotente diante desse fato. Somos
todos egoístas, e enquanto não houver uma superação desse estado,
fortaleceremos o individualismo, segregamos a sociedade, e nunca seremos
grandes.
É UM DESABAFO DE ALGUÉM INDIGNADO!
Oséias Francisco da Silva é Filósofo, Especialista em Segurança Pública e Guarda
Municipal em São Bernardo do Campo.
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