sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mapa da Violência mostra o Maranhão como o estado com maior aumento do número de homicídios entre jovens



A violência é responsável pela morte de seis em cada
dez jovens brasileiros. O Mapa da Violência 2011, do
Instituto Sangari, divulgado pelo Ministério da Justiça,
revelou que o Estado do Maranhão foi o que apresentou
o maior aumento do número de homicídios de
jovens – 360% em dez anos.
Os dados, apresentados nesta quinta-feira (24), mostra
o Maranhão na liderança do raking. O aumento dos
crimes no interior, o avanço do tráfico de drogas e
de armas e a melhora nos registros públicos
são os principais fatores.
De acordo com o estudo, 63% dos jovens com idade
entre 15 e 24 anos morreram vítimas da
violência no país em 2008.
A taxa de homicídios, o dado mais confiável para medir
a violência, subiu 74% no Nordeste de 1998 a 2008,
de 18,5 para 32,1 casos por 100 mil habitantes.
Com exceção de Pernambuco, que reduziu suas já
elevadas taxas em 13,8%, os outros oito
Estados registraram aumento expressivo dos
assassinatos, com saltos que vão de 79,1% (Ceará) a
237,5% (Bahia) e 297% (Maranhão).
A causa mais frequente das mortes violentas entre os
jovens foram os homicídios. Logo depois, os acidentes
de trânsito. Entre os adultos, menos de 3% tiveram
mortes por causas violentas. Contra 90% de
óbitos por causas naturais
Mas existem estados em que carros e motos já
matam mais do que as armas. Em São Paulo, Santa
Catarina, Roraima, Tocantins e Piauí, isso já acontece.
O mapa da violência ainda traz informações assustadoras.
Na Bahia, a alta foi de 280%. No Pará, de 273%. Em
contrapartida, em São Paulo, esse tipo de violência
caiu 56%. No Rio de Janeiro, 28% e em Roraima,
20%. Acompanharam a tendência do Nordeste as
regiões Sul (63,7% de aumento), Norte (63,1% de
aumento) e Centro-Oeste (19,1%). A queda na taxa
no Sudeste, de 39,7%, ajudou a manter estável o
índice nacional, que cresceu 1,9% de 1998 a
2008, para 26,4.
Para entender a influência da qualidade das informações
nos dados da violência, é importante conhecer a
metodologia do Mapa da Violência, que usa os registros
oficiais de mortes do SIM (Sistema de Informações
sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde. A outra
principal compilação de dados de violência no País,
o Anuário do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança
Pública), por exemplo, usa as informações produzidas
pelos órgãos de segurança dos Estados.
Para especialistas consultados pela reportagem, o
avanço dos homicídios no Nordeste responde, em parte,
a uma melhora nos próprios registros de mortes
do sistema de saúde, fenômeno que ocorre também
nos números dos órgãos de segurança. Com a redução
da subnotificação, cenários que já eram ruins
se tornam mais visíveis.
De 1995 a 2008, o PIB (Produto Interno Bruto) do
Nordeste acumulou alta real de 52%, índice superior
ao crescimento nacional no período, de 47%. Mas
uma suposta relação de causa e efeito entre avanço
econômico e criminalidade na região deve ser
relativizada, afirmam analistas.
“Crime e violência possuem causas complexas. Em
alguns casos, crescimento econômico rápido pode
elevar crimes patrimoniais. Como crises econômicas
também podem deflagrar violência. Mas na
Colômbia, por exemplo, houve redução de homicídios
em meio a uma crise econômica, pois havia uma
política de segurança competente e prefeituras
engajadas”, afirma o consultor em segurança Marcos Rolim.

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