sábado, 21 de maio de 2011

Cães dos bombeiros recebem certificação internacional de busca e resgate


Tudo não passa de uma grande
brincadeira para os animais, mas
para o Corpo de Bombeiros Militar
de Santa Catarina (CBMSC) o
assunto é sério. Nesta sexta-feira
(13), quatro cães foram aprovados
na 1ª Prova Nacional de
Certificação Operativa para
Cães de Busca e Resgate, no Parque Estadual do Rio
Vermelho, em Florianópolis. O certificado é emitido
pela Organização Internacional de Cães de Resgate
(IRO), da Áustria, e reforça a posição do Estado
como referência nacional. “O animal pensa que está
brincando, pois, após cumprir a tarefa, recebe um
presente”, explica o tenente Zevir Cipriano
Júnior, bombeiro cinotécnico.



Após os desastres ocasionados pelas chuvas em
2008, o CBMSC decidiu investir em capacitação
e treinamento dos binômios, como são chamadas
as duplas formadas por um cão e um condutor. “Os
cães são muito importantes para a segurança do
trabalho dos bombeiros, pois vão aonde não
podemos ir”, afirma o coordenador dos bombeiros
cinotécnicos, capitão Walter Parisotto.

Ele conta que a opção foi por testes mais rígidos, o
que fez com que alguns não fossem aprovados. “Mas
isso não significa que não sirvam, pois têm alta
capacidade técnica e certificações nacionais, com
pelo menos dois anos de treinamento intenso”,
complementa.


“É importante que a população saiba que estamos
aptos a oferecer o melhor serviço e, por isso, estamos
buscando seguir o padrão mundial”, afirma o tenente
Zevir. Ele lembra que os animais tiveram dificuldades
para encontrar sobreviventes e vítimas nas tragédias
de 2008 por causa da lama espessa, o que levou os
bombeiros a desenvolverem um projeto inédito, que
está em andamento, focado no resgate
em deslizamentos.





Uma das estrelas da corporação é Zorg, um labrador
de 8 anos. “Ele é o único no Brasil que tem certificação
rural e urbana em nível B, a mais alta”, conta orgulhoso
o seu condutor, o bombeiro civil profissional Ivanir
Busaquera. Ele explica que Zorg tem o perfil ideal
para busca e salvamento: “É um cão calmo, que não
passa correndo para tudo que é lado, então ele
percebe mesmo quando o odor é pouco e profundo.”


Zorg e Ivanir ficaram acampados no Rio Vermelho,
junto com os outros 13 binômios, desde a noite de
quarta-feira (11), onde passaram por três etapas de
testes. Na manhã seguinte fizeram uma simulação
de busca em mata fechada, procurando uma pessoa
perdida, e no período da tarde passaram pela prova
de obstáculos. Na manhã de hoje, passaram pelo
rastreamento de restos mortais e pelo
teste de obediência.


Para Ivanir, o segredo está na convivência com o
animal. Zorg mora com ele em Xanxerê, desde que
era filhote. “Ele, como todo labrador, gosta do ser
humano, o que facilita. Assim, faz tudo o que pedimos,
bastando treiná-lo e entendê-lo”, afirma, lembrando que
o cão esteve no Morro do Baú, em 2008, e “já fez
e viu de tudo”.

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