segunda-feira, 19 de abril de 2010

Atirador de elite erra feio

No final de 2009, uma ocorrência atendida pela Polícia Militar do Rio de Janeiro teve um fim trágico: um atirador de elite atingiu fatalmente o meliante que ameaçava a vítima com uma granada. Foi um tiro certeiro e a vítima saiu ilesa.
Segundo os profissionais que coordenaram a ação, foi absolutamente necessária a utilização do atirador, pois caso contrário a ocorrência poderia ter tido um final ainda mais violento e grave.
Até ai nada a se questionar, pois a polícia agindo de modo justificado e dentro da legalidade, não só pode, mas tem o dever constitucional de manter a segurança e garantir a integridade física de todo cidadão, porém, depois do fato um detalhe me chamou a atenção: o atirador de elite, Major João Jaques Busnelo, de 39 anos de idade e a 16 na PM carioca, passou a dar entrevistas sobre o fato. Falou ele sobre as especificações técnicas do fuzil que utilizou para fulminar a cabeça do falecido (um fuzil brasileiro parafal 7.62mm), comentou sobre a marca da luneta que fica sobre o fuzil, e que é preciso muita concentração e frieza. Para finalizar falou sobre ele próprio e sua família.
Na capital paranaense, um fato tornou-se manchete de destaque: um policial teria criado roupas “anti-furto”, mas o que mais chamou a atenção, foi que durante a exibição da matéria, se explicou em detalhes os segredos de cada peça, algumas inclusive tendo sido literalmente viradas pelo avesso, para mostrar as ótimas e criativas idéias.
Nos países chamados desenvolvidos, atiradores de elite não tem suas identidades divulgadas, para proteção deles próprios, de seus familiares e mesmo por uma questão de bom senso, pois tirar a vida de alguém, em nenhuma situação deve ser motivo de regozijo ou volúpia, mesmo quando é preciso para salvar terceiros, no caso em tela, essas regras foram absolutamente ignoradas, fazendo parecer que quando a polícia tira uma vida, o fato em si, é menos grave do que quando um bandido mata um inocente, não é. Esse raciocínio equivocado, levou historicamente nosso exército e nossos policiais a agirem exatamente como agiam assassinos e cangaceiros: cortando a cabeça e esquartejando os corpos, apenas para exemplificar cito os casos de Canudos e Angico.
A polícia age em nome do Estado, só ela tem o mandato para matar, deve exercê-lo com profissionalismo e equilíbrio e não se vangloriar dessa extrema providência.
Já no caso de Curitiba, fiquei pasmo, pois todos os ladrões que assistiram ao jornal da TV ficaram sabendo e conhecendo as técnicas que foram criadas pelo esforçado policial, inclusive do livro que resultou da pesquisa que fez.
Existem certas situações, em que devemos resistir aos holofotes, caso contrário, isso pode comprometer ocasiões posteriores semelhantes, das quais podem resultar prejuízos para a comunidade e para a polícia.
O trabalho policial,  traz extremado grau de sigilo e disso a polícia jamais deve esquecer.
Tanto no caso do atirador de elite como no caso das roupas “anti-furto” o tiro saiu pela culatra, pois se existe uma atividade em que o sigilo é a alma do “negócio”, essa atividade é o trabalho da polícia.

 

Enviado por: Rogério

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