


Corporação padece por falta de estrutura, carros quebrados, uniformes velhos e desmandos
Viaturas quebradas, abandonadas ao relento. Fardamento velho e rasgado, com aparência de sujo. Falta de equipamentos de segurança e de comunicação. Desprestígio junto às autoridades. Chefes que têm crise de autoritarismo, mas que pouco ou quase nada contribuem para o melhoramento da tropa. Essa é a realidade vivida e denunciada pelos guardas municipais de Betim. Eles reclamam que o órgão foi abandonado pela atual administração municipal. "Após oito anos de bons serviços prestados à cidade, fomos deixados de lado. As fardas e os coturnos que usamos estão em situação precária. Alguns trabalham sem quepe e têm que usar o mesmo uniforme durante uma semana inteira. Tínhamos oito viaturas em pleno funcionamento até o ano passado, mas, agora, os carros estão quebrados, sobrando apenas dois deles, mesmo assim em estado crítico. Isso sem falar dos equipamentos de comunicação obsoletos, que mantêm os guardas isolados quando eles estão nas ruas, muitas vezes enfrentando situações adversas", afirma Leonardo Silva Neves. Ele, que foi demitido após reivindicar melhorias na corporação, passou no concurso público, mas ainda não foi efetivado. Segundo a prefeitura, falta o exame de admissão para concluir o processo de contratação.
O chefe da Guarda, Odair Moreira, que fazia parte de um sindicato criado para representar a categoria, é apontado como uma pessoa arbitrária, fechada para o diálogo com seus subordinados. "Quando soube que eu era um dos guardas que não estavam satisfeitos com a situação, começou a me perseguir, culminando com uma demissão arbitrária e injustificada. Não me deu chances de defesa. Entrei com uma ação no Ministério Público para denunciar os abusos", acusa Neves.
A tropa, insatisfeita com a situação, organizou um abaixoassinado, com mais de 60 assinaturas, que foi entregue à prefeita Maria do Carmo Lara. Nele, os guardas pedem o afastamento da chefia imediata e soluções para os problemas.Outro guarda municipal, que pediu para não ter seu nome divulgado, confirma as denúncias de Neves. "Até dezembro do ano passado, Oldair pertencia à diretoria do Sindicato dos Guardas Municipais e Patrimoniais de Betim (Sindguarda). Assumiu o comando por questões de interesse político, mas é arrogante, prepotente e não tem capacidade para exercer a função. Dois terços da tropa o rejeitam. Entregamos o abaixo-assinado à prefeita em abril, mas, até o momento, ela não tomou ne-nhuma atitude. Para quem se dizia agente de um governo democrático e participativo é de se estranhar tal comportamento", diz.
Para o guarda, "é difícil entender o desinteresse pela guarda, pois sua criação contribuiu para a queda do município no ranking das cidades mais violentas do Estado".A indefinição sobre o concurso público, realizado há dois anos, também preocupa. "A tropa chegou a contar com 200 guardas, que faziam um trabalho muito importante em parceria com a Polícia Militar. Esse número foi reduzido para pouco mais de cem. Somente o concurso público pode restabelecer o equilíbrio", reclama mais um guarda, que também teme ser identificado.
Segundo o comandante do 33º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Antônio Betoni, seria positivo para a PM se a guarda fosse melhorada. "Já tivemos 28 guardas municipais desempenhando atividades compatíveis com a sua função, dando suporte administrativo no batalhão. Hoje são apenas três nas funções administrativas. Também não podemos contar com um número fixo desses servidores no serviço de monitoramento das câmeras de vigilância. Convém lembrar que a Guarda Municipal foi criada para atuar na defesa de bens públicos, como escolas e unidades de saúde, e por isso desoneram de forma significativa o trabalho da Polícia Militar", avalia Betoni.
A assessoria de imprensa da prefeitura informa que todos os problemas da Guarda foram herdados da administração anterior. Foi criado um grupo para discussão e busca de soluções para a maioria das dificuldades, como início da elaboração do estatuto, aquisição de uniformes e equipamentos de trabalho e novo modelo de gestão da corporação. Em até 30 dias, três processos de licitação serão iniciados para compra de uniformes, de rádios comunicadores e locação de cinco viaturas.Diz ainda que Odair Moreira, coordenador do órgão, exerce a função de guarda municipal desde a criação da corporação. Quanto ao concurso, afirma que a partir de setembro os 64 agentes aprovados e que ainda não possuem o curso de formação de guarda municipal começarão a frequentar aulas na PUC Betim. Conclui dizendo que Leonardo Neves foi demitido após várias advertências disciplinares contidas em sua ficha funcional.
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