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COMO É QUE É? Motorista novata põe placa no carro pedindo calma


Muitas pessoas ficam tensas e apavoradas só de pensar em dirigir. Outras até dirigem, mas não em todas as situações. E foi justamente este medo, comum a tantos motoristas (recém-habilitados ou não), que levou a vendedora  Isabella Prado Petri , de 19 anos, moradora de Piracaia, no interior de São Paulo, a tomar um medida inusitada: avisar sua inexperiência ao volante com uma placa colada no vidro traseiro do carro.
O aviso foi fotografado durante um engarrafamento na Via Dutra, no trecho de Guarulhos, no início do mês passado e virou hit na internet. Em menos de um mês, já são mais de 16 mil compartilhamentos da foto do carro de Isabella em uma página no Facebook.
A reação dos motoristas no trânsito e dos internautas nas redes sociais surpreendeu a jovem, que assume mesmo que tem um certo medo de dirgir, mas não de negar que é novata na direção. "Eu expus minha situação por achar que isso ia me ajudar naquele momento. Acho que a minha humildade em assumir isso foi fundamental", disse Isabella, por telefone, ao G1.
Medo
Habilitada desde dezembro, o temor da vendedora sempre foram as rodovias de grande movimento. Entre elas a Fernão Dias (BR-381) e a rodovia Presidente Dutra (BR-101). “Eu até dirigia na minha cidade e andava na Dom Pedro (rodovia), mas meu medo de pegar a Dutra, a marginal ou a Fernão Dias era enorme. Eu simplesmente não pegava”, contou.
Até que no começo do mês passado, teve que ir a São Paulo para um evento familiar. Sem companhia e com medo, apelou para o recado aos demais motoristas. A expectativa era encontrar um ambiente mais compreensivo.
“Deu certo, isso me deu coragem. Eu sabia que sem a placa, qualquer erro poderia gerar buzinas, xingamentos e tudo mais. A placa me deixou em paz porque foi mais ou menos como aprender a andar de bicicleta. A placa no carro era como se fossem as rodinhas da bicicleta. Depois que você aprende a andar, não precisa mais delas. Tanto que voltei a São Paulo sem a placa três semana depois dessa experiência", explicou.
Ela contou que no trânsito recebeu muitas mensagens de apoio e elogios pela iniciativa. Mas, se engana quem pensa que por tudo isso a placa foi aposentada. "Guardei uma cópia no meu computador. Se eu tiver que pegar a serra sozinha para ir à praia, ela vai comigo", brincou.
Comportamento
Especialista em psicologia para quem tem medo de dirigir e proprietária de uma clínica-escola especializada no atendimento de motoristas, Cecília Ballina aprovou o método utilizado por Isabella para enfrentar os medos no trânsito. "Ela buscou o que a gente chama de 'muleta' para se tratar sozinha do medo. Foi o modo encontrado para enfrentar a situação. No íntimo dela, a placa funcionou como um elemento de proteção", afirmou a psicóloga.
Ela fez um alerta apenas quanto ao uso deste método. "São dois efeitos distintos que podemos provocar nos demais motoristas: o primeiro é o de respeito à situação e a outra é a impaciência. Muita gente não quer ficar atrás de alguém que se declara inexperiente", explicou.
Sobre o medo de dirigir, ela afirmou que tem notado um aumento do problema entre os motoristas. Cecília trabalha há 20 anos no ramo. Segundo ela, o perfil da maioria das pessoas que buscam ajuda na clínica-escola é de mulheres entre 34 e 45 anos.
As origens do medo podem ser variadas, mas tem relação com a personalidade dos candidatos a motoristas. "Geralmente são pessoas perfeccionistas e que tem muito receio de errar. Porque quando você falha no trânsito, você erra em um ambiente coletivo, um ambiente que você não domina. Isso torna tudo mais difícil", afirmou Ballina.
A cura para o problema está no enfrentamento, como fez Isabella. "O enfrentamento é fundamental e cada pessoa pode encontrar um modo próprio para fazer isso. No caso dessa motorista, a placa foi importante", finalizou.

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Marcos Junior

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